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Nautilus

Oct. 14th, 2005

12:43 am

Hoje, dia 14 de Outubro é um dia muito especial para a linda Meninazul.

Eu sei que tenho estado muito ausente, mas gosto muito de ti. Um beijinho muito grande e espero que gostes deste poema.

 

este foi o ano em que nasceste

e prolonga-se este ano os seus

meses muito grandes por ti

este foi o ano que te fez nascer

e chegaste no seu leito como

um barco sem leme sem remos

que chega na força serena do rio

e na força de um dia demasiado

forte na vida na minha vida

na vida da tua mãe que te

trouxe como um barco perfumado

de pétalas a descer um rio

uma vida demasiado forte e

a nascer e a chegar no dia

exacto deste ano em que nasceste

para nós para dias e anos

de auroras e noites distantes

dias longos a nascerem como o

teu sorriso de criança a

ensinar-nos o que esquecemos ao

crescer a ensinar-nos a sorrir

de novo na vida na tua

vida que começou e se estende

neste ano sem noite sem foz

em que chegaste como um barco

de rosas na primeira luz da madrugada

                                                                                                                           

José Luís Peixoto

 

                                      

Sep. 25th, 2005

03:23 pm

Continuo a fazer o meu programa de Rádio SEM RUMO.
Não percam hoje entre as 19h00 e as 20h00, SEM RUMO, é só ir ao site http://www.xlradiotelevisao.com/ e clicar em emissão.

Ainda não sei muito bem que músicas vou passar, mas acho que hoje acordei com vontade de ouvir música portuguesa da antiga...e vou fazer um destaque especial à canção NO TEU POEMA de José Luis Tinoco.
É engraçado que nas pesquisas que tenho feito deste autor não aparecem dados biográficos, só me aparecem as suas canções, e o único José Luis Tinoco que consigo encontrar é o arquitecto, também pintor, que apesar de não ser músico profissional, teve um papel importante na divulgação do Jazz em Portugal e é pai de um grande compositor dos nossos dias Luís Tinoco. E eu não sei se esse arquitecto e o autor do " NO TEU POEMA" é a mesma pessoa.

Beijocas e não se esqueçam de me ouvir

Sep. 21st, 2005

01:33 pm

Estou com saudades de vir até aqui.
Estou com saudades de escrever as minhas histórias, e de ser lida, e de vos ler.
Eu e o meu submarino fomos dar um grande passeio por outros lados, mas acho que estamos de volta, só precisamos de mais uns dias para desempacotar as coisas e limpar o pó aos livros.
Hoje dou-vos um poema que não é meu, mas que não me importava que fosse... beijoquinhas

 

"O VINHO E AS ROSAS


Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais importa. Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude à vossa escolha.
Mas embriagai-vos! E se um dia, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai: «Que horas são?». E o vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, responder-vos-ão: «São horas de vos embriagardes!». Para que não sejais os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."


Charles Baudelaire

Jul. 24th, 2005

12:43 pm

Olá tenho andado desaparecida...por nenhum motivo em especial...acho que é mesmo preguiça... hoje vou fazer mais um programa de rádio e depois de um mês de emissão posso dizer que estou a gostar muito desta experiência. Confesso que sou muito trapalhona e quero dizer tudo e mais alguma coisa, o que me faz ser um bocadinho chata, mas estou a adorar fazer o SEM RUMO.

Hoje vou fazer a divulgação de um excelente trabalho musical Português, que podem já consultar neste site:   http://www.chuchurumel.com/ 

Não percam hoje o meu programa entre as 19h00 e as 20h00, SEM RUMO, é só ir ao site http://www.xlradiotelevisao.com/  e clicar em emissão.

Mil beijocas para todos...e até já...

 

 

 

Jul. 12th, 2005

11:14 am

Escrevi este texto uns dias depois do 11 de Março de 2004, infelizmente continua muito actual...

 Nunca acreditei no Pai Natal. Acreditava noutras coisas. A minha avó contava-me histórias de príncipes e princesas, e a magia invadia-me deste modo ao ouvir a sua voz doce, e ao mergulhar na sua gargalhada eterna. Um dia deu-me a sua velha máquina de escrever, e abriu-me a porta para outros mundos. A minha outra avó deixava-me rapar as latas de leite condensado e dizia-me que as palavras, por vezes, magoam mais do que os gestos. Quando cresci entendi o que ela queria dizer, e os seus olhos brilhantes deram-me asas e ensinaram-me a voar. Com a avó que não conheci, aprendi de cor a força do amor, aprendi que a vida é muito curta, e temos que aproveitar cada instante para estarmos com quem gostamos, e viver intensamente.
O meu avô contava-me histórias de caçadores e coelhos, e eu sentada no seu colo desejava que o coelho se salvasse. Contava-me alguns contos de Oscar Wilde e mais tarde encontrei-os num livro. O meu outro avô levava-me para as suas memórias no mato de Moçambique, falava-me das suas caçadas, das suas pescarias, e a sua pele queimada pelo sol fazia-me sentir o cheiro da terra, e despertava em mim uma saudade de algo que eu não tinha vivido. O avô que não conheci foi-me trazido pelas fotografias, pelas histórias do meu pai, e dele herdei esta inquietude, esta vontade em partir, este olhar que está sempre longe.
Lembro-me muitas vezes deles, de um modo ou de outro fazem parte de mim. Nestes dias tenho pensado muito neles, e sinto saudades. Às vezes tento encontrá-los nas pessoas que vivem perto de mim. Há momentos em que mergulho na tua gargalhada como mergulhava na da minha avó, tem a mesma intensidade, é eterna como a dela. Poucas pessoas se sabem rir como vocês os dois, e eu sinto vontade em saltar para o teu colo, ouvir as tuas histórias e adormecer ao som de um teclado.
Pensar na infância, naqueles tempos em que me sentia protegida, faz-me voltar acreditar.
Tantas mortes nestes últimos dias. As pessoas não sabem em que direcção caminhar, sentem o perigo, mas não o conseguem evitar, como o coelho que fugia do caçador na história do meu avô. Sabemos que se vai voltar a repetir, e temos medo de sermos apanhados no meio, ou pior do que isso, que apanhem alguém de quem gostamos. Dia após dia tentamos voltar à normalidade, mas já não há inocência que resista a tudo isto. E nós todos estamos no meio de uma guerra que não conseguimos evitar no momento certo, e agora não há meio de a parar. Temos que nos levantar e sentir que ainda vale a pena. Perder a esperança seria a derrota total.

 

Photo by Gasior

Jul. 4th, 2005

08:25 pm

No próximo domingo dia 10 de Julho, quero que o tema do meu programa na radio ( http://www.xlradiotelevisao.com/ ) seja música Brasileira de qualidade.                               Aceito sugestões e gostava que me enviassem algumas músicas para o meu e-mail : capitao@gmail.com 

Beijoquinhas a todos  e fico à espera...

Jun. 27th, 2005

12:45 pm

Quando somos crianças sempre temos um herói, com o qual gostaríamos de nos parecer quando um dia crescêssemos.Na televisão eu gostava de ver o Sandokan, o “Tigre da Malásia”. Os seus olhos negros intrigavam-me. Eu devia ter 6 anos, e ficava colada à televisão a vê-lo nas suas lutas contra os Ingleses. Ainda hoje fico fascinada com o olhar misterioso, onde não se consegue entrar. Mas ele não era o meu herói, era apenas uma personagem que eu sabia que não existia, mas gostava de fingir que era um dos seus companheiros travando lutas no alto mar.

A pessoa que de verdade mais admirava era a minha madrinha, a sua força parecia eterna, e eu acreditava que nada a derrotaria. O seu perfume levava-me para sítios doces e acolhedores. O seu olhar era profundo e toda ela sabia a África, como a comida que cozinhava. Queria ser como ela quando crescesse. Ela nunca olhava para trás e não sabia dizer a palavra medo. Um dia caiu, e eu estava demasiado longe para lhe dar a mão, como ela fazia comigo quando eu era pequena.

O presente mais especial que tive foi-me dado por ela, eu tinha 8 anos, ela estava de passagem pelo Porto, foi a minha casa com 4 caixotes cheios de livros, que tinham sido das filhas, que já tinham crescido, e deu-mos, com a recomendação de que também eram para a minha irmã. Alguns deles devo ter lido mais de 5 vezes, eram os meus tesouros, e sempre que mexia naqueles caixotes encontrava alguma coisa que ainda não tinha visto. Também havia por lá uma caderneta com cromos do Sandokan.

Escrevo acerca dela, e de certo modo volto a dar-lhe vida, é a maneira que tenho de continuar a abraçá-la.

Ela guardava sempre na carteira um pacote de Cláudias, amêndoas cobertas de chocolate que me faziam sempre lembrar azeitonas, e que eu adorava. É tão bonita aquela sensação de alguém ter sempre um doce para nos dar. Agora eu faço isso, tenho sempre comigo rebuçados, e gosto de os distribuir ás pessoas à minha volta, que me oferecem sempre um sorriso em troca. As pessoas gostam de ser acarinhadas, nem que seja porque lhes dão um rebuçado. Conheço uma pessoa que de vez em quando, sem eu estar à espera, oferece-me um chocolate, e eu volto a ser criança outra vez, e agarro a tablete com tanta força, que dá a ideia de que naquele momento aquele é o meu bem mais precioso. E há aquela senhora que tem sempre bombons às cores para me dar, e o meu sorriso é imenso.

Lembrar-me e falar das pessoas de quem mais gosto faz com que as saudades diminuam e eu as sinta mais perto de mim.

 

                 

Jun. 20th, 2005

11:44 pm - NOITE DE SOLSTICIO E POESIA

Hoje, terça-feira, dia 21, é o solsticio de verão, o dia mais longo do ano. Os antigos comemoravam essa noite com rituais envoltos em cânticos, fogueiras, pétalas vermelhas, e acreditavam que a energia toda, que vinha do sol e da lua, os ia proteger ao longo do ano. Eram festas pagãs, festas dos Celtas, e de outros povos, a igreja apoderou-se delas e surgiu na noite de 23 para 24 a festa do S.João, em que se mantém a alegria e as fogueiras.

O meu grupo de Teatro, Maria Quatro, aliou-se ao Triplex, um bar-restaurante muito conhecido no Porto, e  resolveram criar uma noite muito especial, entre muitas coisas vai ser lida poesia.
Tudo começa ao jantar às 21H00 e enquanto se janta, lê-se poesia relacionada com o solsticio de verão, com o sol, a lua e o amor.

Quem quiser ir ao jantar pode ligar para o Triplex e fazer a reserva, o número é :  226 098 968/69

O jantar tem o preço fixo de 15 Euros, e os pratos foram escolhidos de acordo com a noite que se vai viver e os costumes antigos relativos ao solsticio.

Quem não quiser ir jantar, pode aparecer no Triplex por volta das 23h00 e assistir à leitura dos poemas no jardim do Triplex, num ambiente que se vai tentar recriar o que se vivia nos tempos antigos. Aí, é o preço habitual numa noite de terça-feira no triplex.

Eu gostaria muito de vos ver por lá, porque vai-se viver um momento único, os antigos eram sábios e viviam em harmonia com as forças da natureza, vamos tentar fazer isso hoje, e os vão ser os nosso cânticos. Apareçam...

 

                                                                                      

Jun. 19th, 2005

02:55 pm - Hoje Programa de rádio

Só para lembrar que hoje das 19h00 às 20h00 podem ouvir o meu programa de rádio, SEM RUMO.
Para isso é só necessário irem ao site
http://xlradiotelevisao.com/
e cliquem em emissão.

 

Jun. 15th, 2005

12:15 am

Cheirava a violetas. Lembro-me que os dias tinham um sabor diferente e eu perdia-me nas ruas sem olhar para trás. Gostava da sensação de saber que não sabia para onde estava a ir. Ás vezes não precisamos dum mapa para seguir em frente.

Tropecei em ti numa rua movimentada, estava a chover, tu subias e eu descia. Tu ias deixar a cidade, e eu queria entrar nela, e mesmo assim nos encontramos, talvez no ponto intermédio. Existe sempre um ponto intermédio. Fomos nós que fizemos o nosso. As palavras mergulharam em rios escondidos, a chuva tinha cheiro, o cheiro das violetas. Dei-te a mão mas seguimos caminhos diferentes. Desenhaste um sol. Parou de chover.

Passamos pelas velhas que faziam renda à janela, rimo-nos delas e fomos amaldiçoados, não tive medo. Acendi uma fogueira com o lume dos meus olhos, queimei as minhas roupas. Deixaste que o fogo destruísse os teus quadros. As cores derretiam e tu sorrias. Peguei nos poemas, atirei-os à fogueira, as palavras ardiam gritando por socorro. Ficamos parados a ver o fogo a tomar conta de tudo, sentindo prazer na destruição. Depois sem olhares para mim foste embora. Queria que ficasses mas não tive vontade de pedir.

A fogueira continuava arder. Entrei nela e senti o cheiro das violetas.

 

 

Photo by Philipp Meise

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